O Terramoto de 1 de Novembro de 1755 na Póvoa de Varzim
Na primeira metade do século XVIII todas as paróquias portuguesas elaboraram, por mais de uma vez, respostas a questionários preparados e solicitados superiormente, a fim de se saber o património, infra-estruturas, recursos, acontecimentos e a situação geral do país. Uma vez recolhidas, estas informações eram arquivadas em Lisboa, para serem utilizadas. Eram as “Memórias Paroquiais”.
Em resultado do terramoto de 1 de Novembro de 1755, com o que aconteceu de destruição, incêndios, inundações e roubos, verificou-se, logo a seguir, que as Memórias Paroquiais tinham desaparecido. Havia que elaborar novo questionário. Este foi enviado em 1758. Era composto de quase 30 perguntas. A que agora nos interessa é a que se referia ao terramoto.
Nas várias freguesias do concelho da Póvoa de Varzim, em algumas nada se sentiu e noutras apenas caíram alguns muros, que foram logo reparados.
O Pároco da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da villa da Póvoa de Varzim respondeu assim:
“PERGUNTA 26ª – Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755 – e em que, e se está já reparada.
RESPOSTA – Não padeceu esta villa ruína no terramoto no 1º de novembro de 1755 – fez n’ella ainda maior horror que o tremor da terra que aqui se sentiu na mesma hora em que geralmente tremeu, o que se observou no mar; porque estando este com um brando susurro, quietas as ondas, porque assim o permittia a tranquilidade dos áres, das onze para o meio dia principiou primeiro por uma contensão d’águas descobrindo com ella pedras e area, que nunca se viram descobertas, e logo sem alterar o tranquilo se estendia em lingoetas de maré impetuosíssimas, passando os limites a que chegam ainda na maior braveza levando consigo os barcos, catraias, e bateis que achou na area da praia, em que causou damno arrombando-os nos encontros que lhes fez dar nas paredes dos quintaes das cazas contiguas ao mar.
Assim continuou d’onda a onda quazi até á noute, causando além da confuzão duplicado horror e cuidado ao povo, esperando quando o líquido elemento sahindo fora das ordinárias metas do seu limite, por castigo de Deus os innundava a todos, submergindo ao mar os barcos da pescaria, que se achavam n’esse dia n’elle por necessidade de colher as suas redes, os quaes chegando a terra ao mesmo passo em que os que estavam dez ou doze legoas ao mar confessaram nada sentir, e os de tres até quatro legoas, que só conheceram um movimento extranatural nos barcos. Todos se assombraram do que viam obrar as lingoetas da maré, e desampararam os barcos por temer que os corpos experimentassem as mesmas ruinas, que os proprios barcos tinham sentido dos encontros das paredes, e experimentaram alguns dos que do mar vieram.
Esta muito leve ruina se reparou logo para que as lanchas ou barcos continuassem no seu quotidiano exercicio da pescaria.”
( Fonte: Boletim Cultural da C.M.da Póvoa de Varzim)
domingo, 1 de novembro de 2009
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Um comentário:
Olá Papá!
Muito fixe!
A Póvoa sofreu um tsunami. Altamente!!
Beijinhos
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