Decorreu em Roma, de 5 a 26 de Outubro 2008 o sínodo dos Bispos.
De entre as conclusões apresentadas no final, consta uma que consiste em fomentar e incentivar a leitura da Bíblia pelos fieis.
E a pergunta que se põe é: E porquê só agora ?
Para os velhos, já será tarde. Para os adultos, estão ocupados com outras coisas da vida ou não têm hábitos de leitura. Para os novos, só reduzindo o tempo gasto nas consolas de jogos, a ver televisão ou na internet.
Mas nunca é tarde.
Vejam só o que encontrei há dias:
“ ……….
Para compreender como a educação impedia um crescimento económico moderno, basta referir que nos começos do século XX a taxa de analfabetismo em Portugal rondava os 80 % (era de 75% em 1910, quando da proclamação da República), enquanto um estado como a Dinamarca, igualmente pequeno, monárquico e agrícola, tinha taxas inferiores a 20% . Em larga medida isto devia-se a razões culturais. O principal motivo por que os pequenos estados agrícolas do Norte da Europa tinham uma maioria de alfabetizados nos começos do século XX, enquanto os estados idênticos do Sul da Europa tinham uma maioria de analfabetos, era a religião: o protestantismo exigia uma leitura directa da Bíblia, o que obrigava o crente a saber ler; no catolicismo, a Bíblia era explicada e transmitida através do catecismo e do clero, pelo que não era considerado vital que o crente fosse alfabetizado. Com 80 % de analfabetos, não há projecto de industrialização que possa singrar e a qualidade de vida geral é necessariamente baixa, pelo que o fenómeno do crescimento económico moderno não podia arrancar em Portugal a ritmos semelhantes aos da Europa até meados do século – ele só arranca depois da 2ª Guerra Mundial, dentro de valores ainda modestos, numa altura em que cerca de metade da população já sabia ler e escreve.
………
A reforma de Veiga Simão completa e acelera uma evolução já notória desde 1960. Entre 1960 e 1973, a população alfabetizada passa de 59% para 68 % - mesmo assim, sensivelmente menos que os 80% da Dinamarca em 1900.
………
Vamos examinar melhor a seguir a evolução destas vertentes, mas basta aqui referir que tanto numa como noutra, Portugal atingiu finalmente padrões europeus, acabando com a praga do analfabetismo que o perseguia desde o começo da época contemporânea. Algures durante a década de 1980, em resumo, Portugal alcançou as taxas de alfabetização que a Dinamarca tinha em 1900. É claro que, em 1980, o sistema de ensino já não se media pela taxa de analfabetismo.
António José Telo
História Contemporânea de Portugal – Ed. Presença – 2007”
Nota: Os realces no texto são meus.
Ao fim de 80 anos, onde estava já a Dinamarca ?
Os parâmetros de comparação já deram um salto, e nós continuamos a correr atrás, a saltar, e a avaliar os professores.
De entre as conclusões apresentadas no final, consta uma que consiste em fomentar e incentivar a leitura da Bíblia pelos fieis.
E a pergunta que se põe é: E porquê só agora ?
Para os velhos, já será tarde. Para os adultos, estão ocupados com outras coisas da vida ou não têm hábitos de leitura. Para os novos, só reduzindo o tempo gasto nas consolas de jogos, a ver televisão ou na internet.
Mas nunca é tarde.
Vejam só o que encontrei há dias:
“ ……….
Para compreender como a educação impedia um crescimento económico moderno, basta referir que nos começos do século XX a taxa de analfabetismo em Portugal rondava os 80 % (era de 75% em 1910, quando da proclamação da República), enquanto um estado como a Dinamarca, igualmente pequeno, monárquico e agrícola, tinha taxas inferiores a 20% . Em larga medida isto devia-se a razões culturais. O principal motivo por que os pequenos estados agrícolas do Norte da Europa tinham uma maioria de alfabetizados nos começos do século XX, enquanto os estados idênticos do Sul da Europa tinham uma maioria de analfabetos, era a religião: o protestantismo exigia uma leitura directa da Bíblia, o que obrigava o crente a saber ler; no catolicismo, a Bíblia era explicada e transmitida através do catecismo e do clero, pelo que não era considerado vital que o crente fosse alfabetizado. Com 80 % de analfabetos, não há projecto de industrialização que possa singrar e a qualidade de vida geral é necessariamente baixa, pelo que o fenómeno do crescimento económico moderno não podia arrancar em Portugal a ritmos semelhantes aos da Europa até meados do século – ele só arranca depois da 2ª Guerra Mundial, dentro de valores ainda modestos, numa altura em que cerca de metade da população já sabia ler e escreve.
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A reforma de Veiga Simão completa e acelera uma evolução já notória desde 1960. Entre 1960 e 1973, a população alfabetizada passa de 59% para 68 % - mesmo assim, sensivelmente menos que os 80% da Dinamarca em 1900.
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Vamos examinar melhor a seguir a evolução destas vertentes, mas basta aqui referir que tanto numa como noutra, Portugal atingiu finalmente padrões europeus, acabando com a praga do analfabetismo que o perseguia desde o começo da época contemporânea. Algures durante a década de 1980, em resumo, Portugal alcançou as taxas de alfabetização que a Dinamarca tinha em 1900. É claro que, em 1980, o sistema de ensino já não se media pela taxa de analfabetismo.
António José Telo
História Contemporânea de Portugal – Ed. Presença – 2007”
Nota: Os realces no texto são meus.
Ao fim de 80 anos, onde estava já a Dinamarca ?
Os parâmetros de comparação já deram um salto, e nós continuamos a correr atrás, a saltar, e a avaliar os professores.
2 comentários:
Muito fixe!
Este texto vale apena!
Agora só falta enviares uma carta à Antena 1 para demitirem o António Macedo eheheheh
Grande Historiador, sim senhora!!!
Tio, assim vale a pena ler e passar algum tempo na net. Se calhar é por eu ser também historiador... Muito interessante.
Jorge (sobrinho)
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