Na minha memória, desde criança, tenho gravadas as sensações de felicidade de uma viagem com a minha mãe, a pé, os dois, desde a Giesteira até Beiriz, à casa do Sr. Abade, já noite, numa noite de Lua Cheia, sem nuvens, de claro e muito forte luar de Agosto, a ver o voo dos pirilampos nas silvas da beira da estrada e a ouvir o cantar das ralas. A estrada era de macadame, em mau estado; não havia iluminação eléctrica, mas, como também em casa não havia, o luar era uma luz maravilhosa: via-se tudo como se fosse de dia. Eu conseguiria facilmente ler ao luar.
Mais tarde, aprendi que a Lua girava à volta da Terra, e ambas à volta do Sol. Quanto à Terra, era fácil, ela desenharia no espaço um círculo (suponhamos) à volta do Sol. Mas, e a Lua? Como seria o traço que ela desenharia no espaço ?
Hoje, penso que aprendi. É extraordinário ( para mim) !
1 – O traço desenhado pela Lua no espaço, não mostra as voltinhas que ela dá à volta da Terra. Só nós é que as vemos.
2 – “É mais esclarecedor visualizar o movimento da Lua como se ela fosse uma mota que acompanha um automóvel (a Terra), ambos em movimento numa mesma estrada. A mota, uma vez por mês acelera e ultrapassa o automóvel pela direita e depois deixa-se ficar para trás pela esquerda.
De facto, a Lua, quando fica para trás (quarto crescente) é acelerada pela atracção gravítica da Terra e quando se adianta (quarto minguante) é travada pela força de gravidade da Terra.” ( Wikipédia)
Digam lá que não é bonito.
Assim, já consigo ver o traço da Lua.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Está tudo interligado
Decorreu em Roma, de 5 a 26 de Outubro 2008 o sínodo dos Bispos.
De entre as conclusões apresentadas no final, consta uma que consiste em fomentar e incentivar a leitura da Bíblia pelos fieis.
E a pergunta que se põe é: E porquê só agora ?
Para os velhos, já será tarde. Para os adultos, estão ocupados com outras coisas da vida ou não têm hábitos de leitura. Para os novos, só reduzindo o tempo gasto nas consolas de jogos, a ver televisão ou na internet.
Mas nunca é tarde.
Vejam só o que encontrei há dias:
“ ……….
Para compreender como a educação impedia um crescimento económico moderno, basta referir que nos começos do século XX a taxa de analfabetismo em Portugal rondava os 80 % (era de 75% em 1910, quando da proclamação da República), enquanto um estado como a Dinamarca, igualmente pequeno, monárquico e agrícola, tinha taxas inferiores a 20% . Em larga medida isto devia-se a razões culturais. O principal motivo por que os pequenos estados agrícolas do Norte da Europa tinham uma maioria de alfabetizados nos começos do século XX, enquanto os estados idênticos do Sul da Europa tinham uma maioria de analfabetos, era a religião: o protestantismo exigia uma leitura directa da Bíblia, o que obrigava o crente a saber ler; no catolicismo, a Bíblia era explicada e transmitida através do catecismo e do clero, pelo que não era considerado vital que o crente fosse alfabetizado. Com 80 % de analfabetos, não há projecto de industrialização que possa singrar e a qualidade de vida geral é necessariamente baixa, pelo que o fenómeno do crescimento económico moderno não podia arrancar em Portugal a ritmos semelhantes aos da Europa até meados do século – ele só arranca depois da 2ª Guerra Mundial, dentro de valores ainda modestos, numa altura em que cerca de metade da população já sabia ler e escreve.
………
A reforma de Veiga Simão completa e acelera uma evolução já notória desde 1960. Entre 1960 e 1973, a população alfabetizada passa de 59% para 68 % - mesmo assim, sensivelmente menos que os 80% da Dinamarca em 1900.
………
Vamos examinar melhor a seguir a evolução destas vertentes, mas basta aqui referir que tanto numa como noutra, Portugal atingiu finalmente padrões europeus, acabando com a praga do analfabetismo que o perseguia desde o começo da época contemporânea. Algures durante a década de 1980, em resumo, Portugal alcançou as taxas de alfabetização que a Dinamarca tinha em 1900. É claro que, em 1980, o sistema de ensino já não se media pela taxa de analfabetismo.
António José Telo
História Contemporânea de Portugal – Ed. Presença – 2007”
Nota: Os realces no texto são meus.
Ao fim de 80 anos, onde estava já a Dinamarca ?
Os parâmetros de comparação já deram um salto, e nós continuamos a correr atrás, a saltar, e a avaliar os professores.
De entre as conclusões apresentadas no final, consta uma que consiste em fomentar e incentivar a leitura da Bíblia pelos fieis.
E a pergunta que se põe é: E porquê só agora ?
Para os velhos, já será tarde. Para os adultos, estão ocupados com outras coisas da vida ou não têm hábitos de leitura. Para os novos, só reduzindo o tempo gasto nas consolas de jogos, a ver televisão ou na internet.
Mas nunca é tarde.
Vejam só o que encontrei há dias:
“ ……….
Para compreender como a educação impedia um crescimento económico moderno, basta referir que nos começos do século XX a taxa de analfabetismo em Portugal rondava os 80 % (era de 75% em 1910, quando da proclamação da República), enquanto um estado como a Dinamarca, igualmente pequeno, monárquico e agrícola, tinha taxas inferiores a 20% . Em larga medida isto devia-se a razões culturais. O principal motivo por que os pequenos estados agrícolas do Norte da Europa tinham uma maioria de alfabetizados nos começos do século XX, enquanto os estados idênticos do Sul da Europa tinham uma maioria de analfabetos, era a religião: o protestantismo exigia uma leitura directa da Bíblia, o que obrigava o crente a saber ler; no catolicismo, a Bíblia era explicada e transmitida através do catecismo e do clero, pelo que não era considerado vital que o crente fosse alfabetizado. Com 80 % de analfabetos, não há projecto de industrialização que possa singrar e a qualidade de vida geral é necessariamente baixa, pelo que o fenómeno do crescimento económico moderno não podia arrancar em Portugal a ritmos semelhantes aos da Europa até meados do século – ele só arranca depois da 2ª Guerra Mundial, dentro de valores ainda modestos, numa altura em que cerca de metade da população já sabia ler e escreve.
………
A reforma de Veiga Simão completa e acelera uma evolução já notória desde 1960. Entre 1960 e 1973, a população alfabetizada passa de 59% para 68 % - mesmo assim, sensivelmente menos que os 80% da Dinamarca em 1900.
………
Vamos examinar melhor a seguir a evolução destas vertentes, mas basta aqui referir que tanto numa como noutra, Portugal atingiu finalmente padrões europeus, acabando com a praga do analfabetismo que o perseguia desde o começo da época contemporânea. Algures durante a década de 1980, em resumo, Portugal alcançou as taxas de alfabetização que a Dinamarca tinha em 1900. É claro que, em 1980, o sistema de ensino já não se media pela taxa de analfabetismo.
António José Telo
História Contemporânea de Portugal – Ed. Presença – 2007”
Nota: Os realces no texto são meus.
Ao fim de 80 anos, onde estava já a Dinamarca ?
Os parâmetros de comparação já deram um salto, e nós continuamos a correr atrás, a saltar, e a avaliar os professores.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
D.Afonso Henriques falava Mirandês ?
O Mirandês de hoje vem da evolução que teve a língua do Reino de Leão, na terra de Miranda, ao longo de centenas de anos, sofrendo a influência do Português, do castelhano e de outras línguas, mas mantendo a sua matriz original: língua filha do Latim e pertencente à família das línguas asturo-leonesas.
Quando o reino de Portugal se constituiu, separando-se do Reino de Leão, já na terra de Miranda se falava Leonês e assim também seria na maior parte do actual distrito de Bragança. O Português que hoje aí se fala tem muitas palavras que vieram do Leonês para o Português e que os dicionários consideram, a maior parte delas, como regionalismos transmontanos.
Como é sabido, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, era filho de uma princesa filha do rei D. Afonso VI de Leão, e essa princesa falaria Leonês, como toda a corte leonesa desse tempo, a começar pelo rei. À volta de D. Teresa estavam as suas aias, também damas leonesas, falando a principal língua do reino. Assim sendo, não pode haver dúvidas de que o filho de D. Teresa, D. Afonso Henriques, terá aprendido a falar o Leonês e seria essa a língua que falava com sua mãe, as aias que a circundavam e os seus familiares leoneses. Todos sabemos, também, que D. Afonso Henriques foi educado por D. Egas Moniz na região de Lamego, onde se falava o galaico-português, e também terá aprendido esta língua, o que não quer dizer que tivesse esquecido a outra.
Podemos dizer que quando foi armado cavaleiro, na catedral de Zamora, rodeado pelos seus familiares, D. Afonso Henriques falaria leonês com eles. O mesmo se terá passado mais tarde quando assinou o tratado de Zamora, feito na mesma cidade. Ao longo da vida vários contactos teve com seu primo, rei de Leão, e com ele falaria leonês. Ainda que nada disto esteja escrito em nenhum documento, penso que dúvidas não haverá de que assim foi: D. Afonso Henriques falava leonês, quer dizer, falava uma língua a que agora damos o nome de Mirandês.
Tal como muitos portugueses, que não o são menos que os outros, D. Afonso Henriques não poderia dizer “ a minha pátria é a Língua Portuguesa”: por um lado, porque a pátria teve que a construir com luta; e por outro, porque o reino que tornou independente falava duas línguas, o galaico-português e o asturo-leonês, e esta seria também a língua principal do seu cunhado, D. Fernando Mendes II, de Bragança, casado com D. Sancha Henriques, irmã do nosso primeiro rei; mas sobretudo porque o mito da língua ainda não havia sido construído.
Tudo isto mostra que D. Afonso Henriques tinha consciência das duas línguas que se falavam no reino que fundou, e ambas se podem considerar como línguas fundadoras. Depois disso, as duas línguas foram convivendo ao longo de centenas de anos, e os mirandeses foram adoptando também a portuguesa, mas a língua mirandesa pode reclamar-se de ter nascido num berço de ouro tanto ou mais que a outra. Que valor tem isso ? Muito pouco, já que o importante foi que o povo trouxe a sua fala até aos nossos dias sem ajudas de ninguém, sem que o estado Português nela tenha investido um cêntimo.
Tratando-se de uma língua que esteve também na origem de Portugal e foi falada pelo nosso primeiro rei, o menos que se pode dizer é que a gratidão não é flor que os estados e seus governos cultivem.
Amadeu Ferreira
( Advogado, 29.07.1950
Professor convidado na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa)
Nota. Os sublinhados no texto são meus
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
À janela
Um dia destes, estava de férias, vim à janela e olhei para fora.
Estava um dia lindo, era verão.
Na rua, passavam os automóveis a toda a velocidade. E pessoas a pé. E outras de bicicleta. Mas não se via o mar. Nem rio. Só a rua, com as casas dos meus vizinhos.
Engraçado, não via a minha casa. Como podia ser ?
Estava convencido de que morava mesmo ali, ou naquela zona. Mas não a via.
Talvez eu tivesse ido de férias, e por isso não se via a casa.
Fiquei pensativo e voltei para dentro.
Prometi a mim mesmo que havia de voltar à janela, mais tarde, a ver o que se passava lá fora.
Eu depois conto o que vir.
Estava um dia lindo, era verão.
Na rua, passavam os automóveis a toda a velocidade. E pessoas a pé. E outras de bicicleta. Mas não se via o mar. Nem rio. Só a rua, com as casas dos meus vizinhos.
Engraçado, não via a minha casa. Como podia ser ?
Estava convencido de que morava mesmo ali, ou naquela zona. Mas não a via.
Talvez eu tivesse ido de férias, e por isso não se via a casa.
Fiquei pensativo e voltei para dentro.
Prometi a mim mesmo que havia de voltar à janela, mais tarde, a ver o que se passava lá fora.
Eu depois conto o que vir.
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